segunda-feira, 9 de junho de 2014

Nova Fantasia da Lara


Conduzindo lentamente fui tomando atenção aos números das portas. Era um bairro de belas vivendas com os seus jardins bem tratados. A rua era ladeada de jacarandás e plátanos que proporcionavam uma sombra agradável naquele meio de tarde quente. Estava-se no fim da primavera e depois das chuvas que tinham caído viera finalmente o bom tempo. À medida que me aproximava do meu destino ia recordando as circunstâncias que ali me traziam.
Há algum tempo atrás, em conversa com uma amiga, tive conhecimento que ela tinha experimentado uma massagem dada por um profissional. Ela contou-me que tinha sido muito agradável e relaxante e na altura fiquei intrigada, não sei se pelo modo um tanto vago com que ela descreveu o ambiente e o próprio massagista, se pelo brilho dos seus olhos enquanto falava sobre o assunto. O meu marido já algumas vezes me tinha proposto como prenda de anos uma massagem, mas um pouco por receio do que poderia esperar e também por um certo acanhamento natural meu, acabei sempre por recusar. Depois da conversa com esta amiga, a quem, por motivo também de uma qualquer celebração do casal, o marido tinha oferecido a dita massagem, fiquei curiosa e com alguma vontade de experimentar. Passaram-se alguns dias e o Charlie voltou-me a falar de alguém conhecido que também tinha experimentado. Foi como que a deixa para eu me decidir. Deixei que ele tratasse de efectuar a marcação e mais tarde soube que ele tinha falado com o marido da minha amiga e que iria ter o mesmo massagista que ela. Durante os dias que se seguiram, com as preocupações do trabalho e do dia a dia, quase me esqueci do assunto. Mas à medida que a data se ia aproximando confesso que me fui sentindo um pouco nervosa. Afinal ia ter as mãos de um desconhecido a percorrerem-me o corpo e por mais ética profissional que ele tivesse, seria sempre um contacto físico com alguma intimidade. Por outro lado a perspectiva de sentir alguém que não o meu marido a massajar-me parecia-me no mínimo excitante. A minha disposição ia oscilando entre o receio ou alguma vergonha de me despir num lugar estranho e em frente a um estranho, e a expectativa do prazer e do bem-estar que, imaginava, isso me iria proporcionar.
Na noite anterior ao dia marcado, depois de fazer amor, fiquei acordada durante muito tempo contemplando o corpo adormecido de Charlie na luz difusa do luar que entrava pelas gretas das gelosias e pensando no que iria passar-se no dia seguinte. Quando por fim adormeci, a minha noite foi povoada por estranhos sonhos em que mãos desconhecidas me acariciavam. Sonhei que flutuava numa névoa leitosa onde se moviam personagens cujo rosto não divisava mas que me tocavam por todo o corpo. Sentia-me envergonhada e procurava em vão o meu marido entre aquele grupo de machos na ânsia de lhe explicar que embora me sentisse excitada e molhada, nada daquilo tinha a ver com a realidade da nossa vida a dois. O sonho era desconcertante mas não deixava de ter um carácter erótico e ao acordar sentia-me estranhamente acesa com a memória vivida deste devaneio onírico.
Charlie tinha um compromisso qualquer de trabalho e saiu cedo de casa. Eu, depois de um pequeno-almoço ligeiro, tomei um duche rápido e verificando que estava já um pouco atrasada, vesti-me um pouco à pressa. No voucher do centro de massagens aconselhava a vestir algo de ligeiro e não usar maquilhagem. Depois de hesitar um pouco, e porque o dia prometia ser quente, optei por uma blusa cor de vinho de alças e decote em V e por uma saia preta comprida de tecido fino que enverguei por cima de um conjunto de soutien e tanga beges. Depois de vestida inspeccionei-me no espelho enquanto me penteava e achei que estava preparada para o dia. Calcei umas sandálias de tiras e depois de uma última olhadela para a figura que o espelho me devolvia peguei na mala e saí de casa. Já no carro tentei lembrar-me se não me faltava nada e finalmente pus-me a caminho da direcção indicada.
E agora aqui estava eu nesta rua de um bairro obviamente de classe alta, procurando o número da porta que me ia conduzir à minha primeira massagem dada por um profissional. Estacionei finalmente em frente a uma casa que se escondia por trás de uma sebe de cedros. Nada no portão gradeado indicava que se tratasse de um spa ou de uma qualquer clínica de estética. Apenas uma campainha com intercomunicador e câmara, sem nenhuma placa comercial ou qualquer outro tipo de informação quanto á natureza dos serviços ali prestados. Para quem não soubesse, aquela era apenas mais uma casa de habitação. Ainda dentro do carro esperei durante alguns minutos tentando em vão combater o nervosismo que crescia dentro de mim. Por fim, ganhando coragem, saí do carro, atravessei o passeio e resolutamente pressionei o botão da campainha. Uma pequena luz acendeu-se por baixo da câmara indicando que dentro alguém me observava e sem que uma palavra fosse dita, a porta abriu-se com um som metálico. Por um momento ponderei voltar para trás e abandonar aquela ideia louca, mas controlei o impulso sabendo que seria um disparate. Disse para mim própria que ia apenas passar uma ou duas horas entregue às mãos hábeis de um massagista e que tudo o que até ali me passara pela cabeça não era mais que devaneios. Antes que me acobardasse novamente franqueei o portão e dei comigo num jardim espaçoso e arranjado com esmero. Uma álea de gravilha ladeada por canteiros floridos conduzia à porta de casa. Do meu lado esquerdo rosas brancas e vermelhas exalavam um perfume forte. Aqui e além, canteiros de azáleas e de junquilhos, de petúnias e narcisos contrastavam com outros onde cresciam goivos, dálias e prímulas, num caleidoscópio de cor. Na parte lateral do jardim, à sombra de uma cameleira, gerberas atraíam insectos cujo zumbido abafava o som dos meus passos. Todo o ambiente era calmo e harmonioso e revelava o bom gosto do proprietário ou pelo menos a mão de um bom jardineiro.
Quando me encontrava a dois passos da porta esta abriu-se e uma mulher aparentando trinta e cinco a quarenta anos recebeu-me com um sorriso simpático e convidou-me a entrar. Quando me aproximei, beijou-me ambas as faces e pegando-me pela mão conduziu-me para o interior. De cara oval, pele clara e um cabelo aloirado tinha um ar fino mas ao mesmo tempo cordial. Tirando o batom vermelho escuro não parecia ter qualquer outro sinal de maquilhagem mas rodeava-a uma aura de um perfume floral que sem ser demasiado intenso era muito agradável. Trajava um fato de saia e casaco azul-escuro e sapatos de salto alto a condizer. Disse-me chamar-se Berta e eu fiquei a pensar qual seria o nome por trás desse diminutivo. No hall de entrada, enquanto os meus olhos se adaptavam à diferença de luz, reparei numa decoração clássica. A um lado uma mesa de mogno fazia as vezes de secretária. Sobre ela apenas um porta-cartas e um suporte dourado para canetas. Nas paredes, iluminadas por apliques com quebra-luz, havia reproduções de nus famosos entre os quais reconheci o Nascimento de Vénus (não o de Botticelli, mas o de Gervex) e o Banho de Diana de Menard. Várias poltronas de cabedal castanho separadas por mísulas e candeeiros de pé ornamentados davam à atmosfera um toque de bom gosto e sóbrio requinte que nada tinha a ver com o que eu esperava de um centro de massagens. Música suave de piano, talvez Chopin ou Lizt, contribuía para criar uma atmosfera calma e agradável.
Conduzindo-me para uma das poltronas, Dona Berta, ou antes, Berta como me pediu que lhe chamasse, convidou-me a sentar. Disse-me que fazia ali as vezes de recepcionista e que de um modo geral era ela quem geria a casa em representação dos proprietários. Fez-me ainda uma breve descrição do estabelecimento e dos serviços que prestavam. Tinham vários tipos de massagens e as marcações eram feitas apenas para clientes seleccionados. Ainda a assimilar o que me rodeava e o que ouvia, interroguei-me sobre como Charlie teria tido conhecimento desta casa, mas logo me veio à ideia que certamente teria havido alguma conversa entre ele e o marido da minha amiga. Em seguida, tratando-me familiarmente por “querida”, perguntou-me se era a primeira vez que eu me submetia um tratamento deste tipo. Sem entender a que tipo de tratamento se referia, mas também não querendo mostrar a minha ignorância, disse apenas que nunca tinha frequentado qualquer estabelecimento de massagens. Com um sorriso algo enigmático afiançou-se que estava certa de que eu iria gostar. Enquanto falava comigo eu sentia que com o seu olhar profundo me avaliava. No entanto não havia nada de sobranceiro nesta sua atitude, antes pelo contrário. A sua voz calma e pausada, um pouco grave, inspirava confiança. Depois de algumas perguntas sobre a minha saúde que deviam ser rotina, estranhei quando disse que precisava de algumas informações de carácter íntimo. Com alguma estranheza e curiosidade quanto ao motivo destas perguntas, fui respondendo ao seu inquérito. Quis saber como era a minha vida sexual, com que frequência tinha relações e em que tipo de praticas consistiam essas relações, se me sentia satisfeita com elas, se tinha facilidade em atingir orgasmos, se costumava masturbar-me, com que idade iniciara a minha vida sexual, se tinha múltiplos parceiros… enfim uma série de questões a que eu fui respondendo com alguma relutância. Por fim deu por encerrado o questionário e convidou-me a segui-la.
Caminhei a seu lado por um corredor pouco iluminado, decorado aqui e além por jarrões de porcelana flanqueando pesadas portas de madeira escura com puxadores dourados. Berta parou em frente a uma destas portas e abrindo-a convidou-me a entrar. Ela entrou a trás de mim e encostou a porta sem a fechar. Tratava-se de uma sala espaçosa onde alguns apliques espalhavam uma luz velada que competia fracamente com várias lamparinas a arder em pequenas taças. O chão era pavimentado em mármore preto e branco num padrão xadrez e sobre ele, uma marquesa coberta com um lençol negro bordado nas extremidades ocupava o centro da divisão. Numa das extremidades desta marquesa, uma almofada em forma de ferradura, proporcionava apoio para a cabeça. Deste modo, quem ali se deitasse de barriga para baixo, podia apoiar a testa ficando com o pescoço numa postura confortável. De um dos lados da sala havia uma mesa comprida e sobre esta, recipientes em cristal de vários formatos continham óleos cor de âmbar. A um canto, sobre um pequeno suporte quase ao nível do chão, um porta incenso em mármore escuro libertava um aroma forte a sândalo que se espalhava pelo ar numa ténue espiral de fumo. Numa das paredes e no tecto, grandes espelhos, multiplicavam a ilusão espaço. A um canto havia uma porta que se encontrava fechada e que eu presumi ser uma casa de banho. No outro lado da sala havia um biombo formado por fiadas de pequenas contas que pendiam suspensas de uma armação em latão trabalhado. Com um gesto, Berta indicou-me o espaço por trás deste onde se encontrava um aparador sobre o qual havia uma pilha de toalhas esmeradamente dobradas. Antes de abandonar a sala pediu-me para me despir e para me deitar na marquesa e disse que os massagistas esperariam que eu estivesse pronta para entrarem. Como que para me inspirar confiança apertou a minha mão entre as suas e com um sorriso carinhoso despediu-se e saiu fechando a porta.
Sozinha, olhei em volta a tomar alento, interrogando-me sobre se teria ouvido correctamente quando Berta falou em massagistas no plural. Até ali tinha imaginado sempre que a massagem seria dada por um massagista apenas e a possibilidade que assim não fosse deixou-me confusa. Parti do princípio que tinha percebido mal e afastei a ideia do pensamento. A atmosfera era acolhedora e intimista e o perfume do incenso juntamente com o ambiente aquecido provocava-me uma agradável vertigem. Dirigi-me para trás do biombo onde, além do aparador, havia uma cadeira de braços e um cabide de pé no qual pendurei a mala. Tentando controlar o nervosismo fui despindo a saia e a blusa que coloquei sobre a cadeira. Desapertei o soutien e deslizando as alças pelos braços deixei-o cair em cima do resto da roupa. Um pequeno espelho sobre o aparador devolveu-me a imagem dos meus seios nus onde os mamilos se destacavam no centro das auréolas rosadas. Com as mãos em concha senti-lhes o volume e por um momento fiquei a olhar orgulhosa para o seu reflexo. Não sei porquê lembrei-me do espelho da história da Branca de Neve. Hesitei se deveria despir-me completamente ou ficar com a tanga visto que Berta não tinha sido específica sobre esse aspecto. Por fim optei por ficar nua e cobrir o corpo com uma toalha. Entre o aparador e a cadeira, num cesto de junco entrançado, havia embalagens de chinelos descartáveis. Descalcei as sandálias calcei uns destes chilenos. Depois de uma última olhada ao espelho peguei numa toalha, saí de trás do biombo e dirigi-me para a marquesa. Não sabia se me deveria deitar de bruços ou de costas e creio que foi por algum acanhamento em encarar o massagista que optei por me deitar de bruços. Com alguma dificuldade devido à posição, coloquei a toalha por cima de mim de modo a cobrir-me as nádegas e as coxas. Deixei-me ficar de olhos fechados, com os braços apoiados de cada lado da cabeça, sentindo na pele a textura macia da seda, tentando sem grande sucesso descontrair, enquanto pensava no que se seguiria.
Passados alguns minutos ouvi o som da porta a ser aberta seguido de passos. Subitamente apercebi-me de toda estranheza daquela situação. Ali estava eu nua, prestes a sentir na pele as mãos de um desconhecido. Juntamente com o constrangimento e alguma vergonha, crescia dentro de mim a expectativa. Sem coragem de abrir os olhos permaneci muito quieta tentando parecer adormecida. Apercebia-me que junto a mim alguém se movimentava e ouvi o tilintar dos recipientes a serem manuseados. Sobressaltei-me ao ouvir uma voz masculina perguntar se me sentia confortável. Tive de aclarar a garganta para responder e quase não reconheci a minha própria voz. Entreabri os olhos e vi um homem bastante alto envergando um quimono branco que deixava entrever o peito depilado. Os ombros eram largos e acima deles o pescoço forte suportava uma cabeça completamente rapada. Os antebraços terminavam numas mãos compridas e bem cuidadas. Embora não lhe pudesse ver bem a cara, pareceu-me bonito, com olhos castanhos e profundos que lhe davam uma expressão calma e inspiravam confiança. Por trás dele, junto à mesa onde tinha visto os frascos dos óleos, um outro vulto, envergando um traje idêntico, encontrava-se de costas. Podia ver-lhe o crânio e a nuca igualmente rapados e embora não tão alto, reparei que também ele possuía uma compleição atlética. Passada a surpresa de perceber que ia ter dois massagistas, não pude deixar de pensar para comigo que ambos eram homens atraentes. Aos poucos o meu nervosismo foi sendo substituído pela expectativa. Fechei de novo os olhos e preparei-me para a massagem. A mesma voz que falara antes apresentou-se dizendo que se chamava Miguel e que o seu colega era o Rui. Aproximando-se, acrescentou que ia retirar a toalha e começar a massagem. Murmurei um “sim” tentando que a voz não me tremesse para não mostrar a minha atrapalhação por saber que as minhas nádegas iam ficar expostas. Claro que eles eram massagistas profissionais e aquele era o seu trabalho que sem dúvida desempenhavam com toda a ética, pensei eu para me tranquilizar. Nesse momento senti que duas mãos se apoiavam nas minhas omoplatas. Não sei porquê, esperava, num primeiro contacto, senti-las frias, mas não foi o caso. Agradavelmente lubrificadas pelo óleo senti-as deslizarem pelos ombros e novamente até às omoplatas. Embora não pudesse estar certa, supunha que era Miguel que se encontrava à cabeceira da marquesa e que eram as suas mãos que, em movimentos lentos mas firmes, me massajavam. Um leve aroma a amêndoas doces e canela desprendia-se do óleo e misturava-se com o cheiro do incenso. Miguel aumentou um pouco a pressão e eu senti os músculos a relaxarem. Com a perícia adquirida certamente por uma longa prática as pontas dos seus dedos percorriam-me os ombros e as costas aliviando-me da tensão. Lentamente a minha mente foi-se esvaziando e eu abandonei-me àquela sensação. Senti que Rui no outro extremo da marquesa começava por sua vez a massagem. Com uma mão soergueu-me o pé e com a outra massajou repetidamente a barriga da perna. Quando deu por terminada a perna esquerda executou o mesmo tratamento na direita. Por vezes apercebia-me que derramava um pouco mais de óleo nas mãos e logo voltava a sentir os seus dedos deslizarem desde os calcanhares até ao início das coxas e desceram de novo até ao tornozelo. Miguel por sua vez alongava-se em movimentos compassados desde a minha nuca, descendo por cada lado da coluna, até à cintura e voltando a subir pelo dorso até aos ombros. Este movimento repetia-se num ciclo que se ia alargando a cada passagem. Sabia-me bem o contacto das suas mãos poderosas e sábias. Sob este contacto sentia-me cada vez mais descontraída até esquecer por completo o pudor e a vergonha inicial de estar despida. Quando as suas mãos começaram a percorrer a parte lateral do meu corpo, descendo desde as axilas até às ancas, senti que dentro de mim se acendia uma nova sensação. Não direi de volúpia, mas um bem-estar profundo que me enchia de bem-estar. Miguel, por um momento interrompeu a massagem, e logo senti que um fio de líquido oleoso era derramado sobre mim. Pelo tacto percebi que ele mudara de posição e se encontrava agora do meu lado direito. De mãos abertas percorreu-me a cintura, subiu pelos lados do corpo e aflorou-me a base dos seios. Depois desceu pelo caminho inverso até às ancas, para logo voltar a subir num vaivém deslizante. Embalada por este toque, dei por mim a imaginar a visão que ele teria do meu corpo. Sabia que a minha pele estava oleada e brilhante, e que ele devia sentir na palma das mãos a sua textura. Perguntei-me como seria o dia a dia do seu ofício. Seria possível que naquele contacto em que havia tanto de intimidade, tendo diante dos olhos um nu corpo de uma mulher, ele não sentisse uma ponta de desejo? Imaginei-me na situação inversa, e tive a certeza que isso me deixaria molhada. Por outro lado pensei que provavelmente a rotina acabaria por deixar estes homens indiferentes. Que para eles seria apenas mais um dia de trabalho. Um trabalho agradável sem dúvida, mas apenas um trabalho.
As mãos de Rui nas minhas coxas distraíram-me deste devaneio. Senti que também ele tinha mudado de posição. Encontrava-se agora à minha esquerda e com as pontas dos dedos aplicava pressão na parte de trás da coxa. Desde o joelho até à nádega, massajava em movimentos ascendentes. Sentia os seus polegares apoiados na parte posterior da coxa e os restantes dedos na parte de fora a percorrerem-me lenta mas firmemente quase até às nádegas. Aí invertiam o percurso e deslizavam suaves como uma carícia até ao ponto de partida para logo repetirem este ciclo vezes sem conta. Aos poucos suas mãos foram-se deslocando para o interior das coxas continuando sempre o mesmo tipo de movimento. Instintivamente afastei um pouco as pernas para lhe facilitar o aceso. Rui aplicava a massagem alternando ora com uma mão, ora com a outra. Por vezes percorria-me as duas coxas ao mesmo tempo, outras sentia que ambas as mãos se apoiavam na mesma perna. A certa altura tive a sensação que, a cada movimento, as suas mãos se aproximavam mais das minhas virilhas, mas a sensação que me davam era tão estimulante que não liguei importância. Do outro lado Miguel massajava-me os glúteos médios e a zona dos rins descendo lentamente até aos glúteos máximos e às nádegas. A estas deu especial atenção, apertando cada uma delas repetidamente entre os seus dedos fortes. Senti as suas mãos moverem-se sobre elas em círculos que ora as comprimiam uma contra a outra, ora as afastavam deixando exposto o rego entre elas. Por vezes tinha a sensação que os dois se sincronizavam e enquanto as mãos de Rui me subiam pelo interior das coxas até as sentir aflorar os grandes lábios, as de Miguel desciam-me pelas ancas para, depois de me percorrem o rabo, subirem novamente por entre as nádegas afastando-as com uma ligeira pressão. A sensação que este contacto me provocava juntamente com a consciência de me sentir exposta aos seus olhos não podia deixar-me indiferente. A cada toque, a cada movimento das suas mãos no meu corpo, eu sentia nascer dentro de mim um desejo quente que aos poucos crescia e me invadia. Nesse momento ainda não sabia até que ponto iria aquela massagem. Tinha vindo com a consciência de ir passar por uma experiencia sensual, mas agora percebia que, mais do que sensualidade, havia aqui uma carga muito grande de erotismo. Sentia as mãos de ambos a passarem entre as minhas nádegas e os seus dedos por vezes a tocarem-me na vagina e no ânus e a cada um destes toques percebia que ia ficando mais molhada e que possivelmente eles se apercebiam disso. Não sabia o que esperar daquela sessão mas dentro de mim hesitava entre a dúvida sobre se isto seria apenas uma massagem relaxante e o desejo de que assim não fosse. Por um momento pensei em Charlie e no que ele acharia disto, depois lembrei-me que tinha sido ideia sua. Lembrei-me também da minha amiga e do seu sorriso enigmático ao contar-me que tinha experimentado esta massagem. Até que ponto as coisas teriam ido com ela? Perdida nestas reflexões, percebi que Miguel me dizia alguma coisa. Um pouco aturdida pelo desejo que me queimava tive que esperar que ele repetisse. Dizia-me que a massagem dorsal estava terminada e pedia para eu me virar na marquesa a fim de prosseguirem. Amolecida como me encontrava, soergui-me e com a sua ajuda sentei-me na marquesa com os pés pendentes. Miguel segurou-me na mão e ajudou-me a deitar enquanto Rui me elevava as pernas e as apoiava de modo a ficarem no prolongamento do tronco. Numa reacção instintiva de pudor levai as mãos aos seios e senti que os meus mamilos estavam erectos. De seguida percebi inutilidade do gesto e deixei descair os braços até ficarem apoiados ao longo do corpo. Miguel levantou-me um pouco a nuca e ajustou o apoio de cabeça para uma inclinação mais confortável. Nesta posição tinha uma visão ampla de toda a sala e pela primeira vez pude observar com atenção as feições de Rui. De idade certamente não muito superior aos trinta anos, era moreno e tinha uns lábios grossos e sensuais que não destoariam numa boca de mulher. Malares salientes juntamente com os olhos escuros e amendoados, davam-lhe um quê de oriental. A cabeça rapada ostentava orelhas pequenas e perfeitas. O conjunto das suas feições fazia dele um homem interessante, não tanto pela beleza mas mais por um certo ar de mistério que parecia irradiar. Vendo que eu o fitava, sorriu e eu devolvi-lhe o sorriso. Reparei então no grande espelho do tecto, do qual já me tinha esquecido, e vi nele a minha imagem reflectida. Olhei a minha própria face emoldurada pelos caracóis escuros do cabelo e com os olhos percorri a pele clara dos meus ombros e do meu pescoço. Vi os meus seios, ligeiramente espalmados pela posição em que encontrava, com os mamilos sobressaindo das grandes auréolas rosadas. Contemplei o ventre com a rugazinha do umbigo e a curva das ancas que se prolongavam em duas coxas cheias entre as quais um pequeno tufo de pêlos aparados escondia o meu sexo. No todo achei que tinha um corpo atraente e percebi o motivo pelo qual Charlie sempre me dizia que eu despertava o desejo nos homens. A minha atenção foi desviada ao sentir as gotas de óleo que Miguel, de outra almotolia, deitava mãos e que escorriam sobre o meu ventre. Colocando-se a meu lado preparava-se para continuar o seu trabalho. Também Rui aplicava já as mãos nas minhas pernas percorrendo-as desde os tornozelos até ao púbis. Através do espelho observava cada um dos seus movimentos e aguardava expectante o momento em que os seus dedos me iriam tocar nas zonas mais íntimas. De cada vez que isso acontecia, eu sentia nascer dentro de mim um pouco mais de desejo. Miguel massaja-me o tronco. Partindo das ancas, sentia as suas mãos que me passavam pela cintura e, juntando-se sobre a minha barriga, subiam envolvendo-me os seios e emitindo desde os mamilos ondas de prazer que se espalhavam por todo o corpo.
O contacto cada vez mais íntimo destes dois homens estava a deixar-me fora de mim. Sentia que a minha respiração se tornava mais rápida e que o meu coração acelerava. Tinha a face afogueada e boca seca. Sentia a excitação apoderar-se do meu corpo e receava que isso transparecesse na minha fisionomia. O meu olhar desviou-se do espelho e inconscientemente fixou-se em Miguel. Vi a sua expressão concentrada e os seus olhos brilhantes que seguiam o movimento das mãos no meu peito. Tinha agora os bicos dos meus seios entre os dedos e massajava-os suavemente entre o indicador e o polegar. Um pouco envergonhada pela minha própria excitação desviei o olhar e reparei que, com os movimentos, o quimono tinha-se aberto deixando a descoberto o peito onde sobressaía o volume dos músculos. As calças do quimono eram seguras um pouco abaixo da cintura por um cordão com pontas franjadas e deixavam antever no baixo vente uma leve penugem aloirada. Um pouco mais abaixo notei que o tecido formava um alto proeminente revelando uma erecção que oscilava para um lado e para o outro à medida que ele se movia. Afinal o profissionalismo e a ética não conseguiam contrariar as forças da natureza. Aperceber-me daquele pénis erecto, ali a poucos centímetros de mim, provocou-me um arrepio e senti que uma gota de fluido me escorria entre os lábios vaginais. Tive uma vontade enorme de lhe tocar mas receei a sua reacção e limitei-me a deixar descair a mão para a borda da marquesa na esperança de acidentalmente o sentir roçar nos meus dedos. De olhos semi-cerrados para não trair o objecto da minha atenção, senti que Rui me elevava a perna esquerda deixando-a dobrada pelo joelho com a planta do pé assente na marquesa. Com o meu joelho encostado ao peito massajou-me o interior da coxa. A sua mão aberta escorregava suavemente na minha pele e cada vez que chegava à virilha detinha-se ali durante alguns segundos como que hesitando em continuar. Esta carícia mais não fazia do que aumentar a minha excitação e deixar-me mais molhada. Depois de executar demoradamente esta operação em ambas as minhas coxas, posicionou-se ao fundo da marquesa, afastou-me os pés e elevou-me os joelhos. Naquela posição, de pernas abertas e joelhos flectidos, a minha vagina estava exposta e eu sabia que ele podia ver o interior dos meus lábios rosados. Senti que nova gota escorria de entre eles denunciando o meu estado, mas isso já não me incomodava. Naquele momento queria apenas sentir de novo as suas mãos. Na ansiedade da espera olhei para ele e vi que os seus olhos se fixavam na gruta que se abria entre as minhas pernas. Baixando o olhar vi que também ele tinha uma erecção e que na frente das suas calças aparecia já uma pequena mancha de tecido molhado. Fingindo não me aperceber deste facto afastei um pouco mais as pernas como que a pedir o contacto das suas mãos. Este contacto não se fez esperar e logo senti que pelo interior das coxas, elas avançavam lentamente em direcção à minha ratinha. Aguardei com expectativa o toque dos seus dedos no clitoris mas Rui tinha outra ideia. Fazendo-me sofrer de tesão começou a mover os polegares em torno dos lábios ao mesmo tempo que com os restantes dedos massajava suavemente o meu monte-de-vénus. Finalmente, apoiando a palma de uma mão no púbis, começou a fazer rodar o polegar sobre o meu botãozinho de carne enquanto com dois dedos da outra mão afagava as pétalas escorregadias da minha flor aberta. Senti-lhe os dedos entrarem gentilmente em mim e voltarem a sair brilhantes do meu sumo. Completamente rendida à sua perícia fechei os olhos e deixei escapar um gemido. Senti que aumentava a pressão no meu grelinho e que mais abaixo, aqueles dedos experientes tacteavam a entrada da minha coninha. Ora os sentia nos lábios inchados da vulva, ora se deslocavam até me tocarem no ânus. Toda aquela zona da minha intimidade ressumava humidade deixando-me lubrificada e pronta para receber dentro de mim o membro potente de um homem. Senti que uma gota de suor me escorria pela testa e limpei-a com as costas da mão. A meu lado, Miguel continuava com aquela tremenda erecção que lhe retesava a frente das calças. Por vezes, quando ele se debruçava sobre mim, sentia aquele volume tocar-me no braço. Ao início pensei que era apenas um contacto involuntário, mas ao fim de umas quantas vezes ganhei coragem e pus a mão mais a jeito de modo a proporcionar esses toques fortuitos. Por muita ética que tivessem, aqueles massagistas não eram autómatos mas sim homens de carne e osso, o que era demonstrado pelas manchas visíveis que os seus paus babavam no tecido das calças.
Num momento em que Miguel se encostou à marquesa a fim alcançar a minha anca, ganhei coragem e passei as pontas dos dedos por esta mancha. Através do tecido fino e molhado senti-lhe a ponta dura e redonda do pénis. Ele imobilizou-se de olhos fechados, uma mão apertando-me o seio e a outra pousada no meu ventre. Observei-lhe a face em busca de uma reacção negativa e como não a encontrasse, tacteei em torno daquela forma oval que sentia por dentro do pano. Ele chegou-se mais a mim num sinal claro de que estava a gostar do meu toque. Tranquilizada por esse sinal, puxei por uma das pontas do cordão e desapertei o laço que lhe segurava as calças. Quando estas caíram, revelaram-me um magnífico pénis em plena erecção. Com a glande púrpura em forma de morango e base semeada de pequenos caracóis claros, deixava ver por baixo o saco depilado onde se adivinhavam as duas bolas cheias. Liberto da sua prisão têxtil elevou-se como uma mola e ficou a apontar orgulhoso para mim. Envolvi-o com a mão e senti-lhe a dureza. A pele sulcada de veias grossas era quente e o seu contacto transmitiu-me como que uma descarga eléctrica que me atravessou o corpo todo para se ir focar entre as minhas pernas. Com um dedo percorri a parte inferior daquele cilindro e uma grossa gota de líquido brilhante molhou-me a mão. Vencido o receio inicial acariciei-lhe os testículos que senti pesados e volumosos. Não sei se pelo efeito hipnótico que aquele membro exercia em mim, se por vergonha de encarar o homem a quem ele pertencia, não conseguia desviar o olhar. Enquanto a minha mão, fechada em torno do tronco, se deslocava desde a base até à cabeça, fazendo aqui nascer novas lágrimas que me pingavam no pulso, Miguel, agora refeito da surpresa e obviamente gostando do que eu lhe fazia, percorria-me com as suas mãos macias o ventre, os seios e os ombros. Entre os seus dedos, os meus mamilos inchados, ganhavam vida própria. Nas suas mãos, as minhas mamas eram dois vulcões prenhes de lava.
Mais abaixo, dois dedos massajavam a parede anterior da minha vulva e um terceiro acariciava-me a entrada do ânus introduzindo-se a pouco a pouco. Completamente rendida à tesão que me dominava, levantei as pernas e de joelhos flectidos abri-me àquelas carícias. Inclinei-me na direcção de Miguel e, pelo pénis, puxei-o para mim. Percebendo claramente a minha intenção, aproximou-se até a glande me tocar nos lábios. Lambi-a com a ponta da língua e o sabor salgado a sémen despertou a minha gula. Ele apoiou-me a nuca com uma mão e introduziu-me na boca metade do pénis que eu chupei com vontade. Com movimentos ritmados, começou a mover a cintura para trás e para frente ao mesmo tempo que puxava a minha cabeça de encontro a si. Eu sentia o seu membro a deslizar para dentro e para fora, tão depressa me enchendo completamente a boca como deixando apenas a cabeça inchada entre os meus lábios. A minha língua atrevida brincava então em torno dela, envolvendo-a, lambendo a pequena corda tensa do freio e sentindo a sua textura.
Enquanto saboreava o pau de Miguel, Rui afastou-me os lábios da vagina e inclinando-se sobre mim, começou lambê-la. Raramente deixo outro homem que não o meu marido fazer-me isto, mas naquele momento a minha tesão era tanta que não só não me importei como adorei o gozo que me proporcionava. A sua língua brincava em torno da abertura, titilava o meu grelinho sensível, passava-me nos lábios e voltava a lamber num sem fim de voltas que me deixavam louca de tesão. Senti que o meu clitoris ser sugado pela sua boca, depois lambido pela sua língua e por fim de novo manuseado entre os seus dedos. Com a boca colada na minha vulva, a língua penetrava fundo dentro de mim e eu sentia-lhe dedos, lubrificados pelo meu fluido vaginal, entrarem e saírem do meu rabo. Apercebia-me que dentro de mim se formava o turbilhão de um gigantesco orgasmo, mas tentava controlar-me e prolongar assim todo aquele prazer. Rui, agarrando-me pelas coxas, puxou-me mais para a ponta da marquesa e senti que algo volumoso e quente se encostava à entrada da minha gruta. Percebendo que ia ser penetrada, tirei o pénis de Miguel da boca e ergui a cabeça de modo a poder ver este outro pau a enterrar-se em mim. Reparei que Rui era dotado de um pau de dimensões bem acima da média, tanto em tamanho como em grossura.
Nunca fui partidária do mito dos paus grandes e acredito que o prazer que uma mulher obtém do sexo tem mais a ver com o jogo de sedução, com os chamados preliminares e com o modo como o homem usa nela o pénis do que propriamente com o tamanho deste, no entanto a visão daquele membro era sem dúvida magnífica e eu antecipei o gozo de o sentir penetrar-me.
Gozo que não se fez esperar pois logo vi e senti o volume da glande enorme afastar as bordas da minha ratinha e deslizar pelo seu interior. Da minha garganta e sem que o controlasse escapou um som rouco e profundo. Rui não só possuía aquele membro imponente, como sabia também usá-lo. Lentamente foi-se introduzindo em mim até eu sentir que os nossos púbis se tocavam. Durante longos momentos ficou imóvel oferecendo-me aquela pausa para que melhor o sentisse preencher-me. Por cima de mim o espelho devolvia-me a imagem de uma mulher de mamas opulentas que se oferecia aberta ao gozo daqueles pois paus. Passado este momento, senti que se retirava deixando atrás de si um vácuo que a minha cona pedia para de novo ser preenchido. De seguida voltei a senti-lo entrar em mim com um ímpeto renovado, dando início a um vaivém crescente. Eu sentia que cada uma das suas estocadas me deixava mais próxima daquela tão almejada explosão dos sentidos. Percorrida pela sucessivas vagas de prazer tinha-me quase esquecido de Miguel, que, a meu lado, observava com visível interesse o pau de Rui a entrar em mim. Vi que se tocava lentamente esfregando a glande no meu mamilo e deixando-o molhado e brilhante. Agarrei-lhe no pénis e continuei a masturbá-lo e a lambê-lo. Ele inclinou-se sobre mim e a sua mão desceu até se imobilizar sobre o mau baixo-ventre. Os seus dedos apoiados no meu grelinho pressionaram-no em movimentos rápidos e vigorosos. Esta nova sensação, somada ao gozo que irradiava dentro de mim o pau grosso de Rui, foi a gota que fez transbordar o cálice das minhas emoções.
Todo o meu corpo se contraiu num violento espasmo de prazer. Por um momento deixei de estar ali. A minha visão turvou-se e à minha volta senti que tudo era sugado num torvelinho de luz. O orgasmo atingiu-me como um terramoto ao qual se seguiram réplicas que pareciam não diminuir de intensidade. Dentro da vagina sentia o pau duro e intumescido de Rui e no clitóris os dedos de Miguel mantinham a pressão prolongando este momento de prazer. O meu corpo era sacudido por convulsões que me faziam arquear as costas como possessa e da minha ratinha derramava-se abundantemente fluido que me escorria pelas nádegas encharcando o lençol que cobria a marquesa. Respirava com dificuldade e tinha a testa, as têmporas e o pescoço inundados de suor. Sentia os mamilos quase doridos de tão tesos que se encontravam e das mamas inchadas, escorriam pequenas gotas que ao longo do ventre e pelos flancos me provocavam arrepios na pele sensibilizada. Por fim, como uma cortina de nevoeiro, a inconsciência abateu-se sobre mim.
Não sei durante quanto tempo estive naquele estado de alheamento mas, quando voltei a mim, Miguel estava a meu lado e limpava-me a transpiração com uma toalha de linho. Vendo que eu dava acordo de mim, começou a massajar-me as têmporas e perguntou se me sentia bem. Sem energia para articular a resposta acenei com a cabeça num “sim” mudo. Pegando-me numa mão e envolvendo-me os ombros com um braço forte ajudou-me a sentar. Rui tinha-se aproximado com um copo de água na mão que me ofereceu com um sorriso. Bebi com sofreguidão e pedi-lhe para mo encher de novo. Precisava de me refrescar e amparada por Rui levantei-me e caminhei até à casa de banho.
Ainda não tinha aqui entrado e com curiosidade olhei em redor. Do lado esquerdo da porta havia uma banheira grande em forma de meia-lua com vários jactos de hidromassagem. Na parede por trás, um painel de azulejos brancos pintados a azul representava duas ninfas banhando-se num lago espiadas por um sátiro que se escondia por trás de um arbusto. As restantes paredes eram forradas com azulejos do mesmo tipo mas apenas percorridos por uma barra grega ao nível dos meus ombros. No rebordo da banheira alinhavam-se várias embalagens de champô e gel de banho como as que se encontram nas casas de banho dos hotéis. Havia ainda uma sanita e um lavatório grande em loiça antiga com torneiras decoradas e entre estes um nicho na parede continha toalhas dobradas. De cada lado do lavatório um aplique de vidro trabalhado e um pequeno lustre a condizer pendurado do tecto proporcionavam a iluminação suficiente. Vi ainda que numa prateleira se encontravam pequenas caixas com artigos de higiene descartáveis.
Satisfeita com a inspecção e com o extremo asseio que todo o conjunto revelava, olhei-me no espelho. O meu cabelo estava em desordem e alguns fios colavam-se ao pescoço transpirado. Abri a torneira e refresquei a face e os ombros deixando que a água me escorresse pelo peito. Retirei uma toalha da pilha e molhando-a em água fria usei-a para passar pelo resto do corpo. Sentia-me melhor e aos poucos a energia regressava ao meu corpo. Tinha tido um orgasmo monumental e pensei qual seria a minha reacção ao voltar para a sala de massagens e encarar os massagistas que mo tinham proporcionado. Dentro de mim vibrava ainda a sensação deixada pelo falo de Rui e na boca permanecia o sabor de Miguel.
Com esta recordação na cabeça, abri a porta e dirigi-me para o centro da sala onde reparei que o lençol da marquesa tinha sido mudado. Esta encontrava-se agora coberta por um pano roxo orlado por uma franja comprida. Os meus massagistas e amantes destas duas últimas horas estavam nus e também eles tinham aspecto de se terem refrescado embora eu não soubesse onde. Os seus quimonos encontravam-se cuidadosamente dobrados em cima da mesa dos óleos. Quando me viram ambos sorriram e reparei que os seus sexos se apresentavam ainda semi erectos. Pensei para comigo que, depois do que acabara de se passar naquela sala, eles não podiam deixar de estar excitados e de sentir a urgência de descarregar a tensão acumulada. Sabia que nenhum deles se tinha vindo e que as suas energias tinham sido todas concentradas na tarefa de me proporcionar o máximo de prazer. Em parte movida por um vago sentimento de retribuição, mas também porque a visão daqueles “apolos desnudos” reacendeu dentro de mim a chama do desejo, aproximei-me resolvida a devolver-lhes o prazer que tinha recebido.
Rui estava a acender uma das lamparinas que entretanto se tinha apagado e Miguel, de costas, manuseava qualquer coisa sobre a mesa. Tinha um corpo bem feito que revelava actividade física regular. Os ombros eram largos e a sua musculatura visível por baixo da pele acetinada. Assim despido, as pernas longas contribuíam para que parecesse ainda mais alto. As coxas bem torneadas suportavam nádegas arredondadas e com algo de feminino que me atraíam o olhar.
Liberta já do meu pudor inicial, aproximei-me e encostei o meu corpo ao seu. Ao sentir o contacto dos meus seios nas costas, um ligeiro estremecimento revelou a sua surpresa. Com os braços envolvi-lhe a cintura e, colada a ele, depositei-lhe um beijo no ombro. O contacto com a sua pele quente despertou os meus mamilos e senti que ficavam rijos. A minha boca deixou um rasto de saliva pelo seu pescoço à medida que eu o beijava e lhe dava pequenas dentadas. As minhas mãos desceram-lhe pela cintura e pelo ventre e quando se acercaram do púbis um novo estremecimento fê-lo entornar um pouco do óleo que manuseava. Com as pontas dos dedos contornei-lhe a base do pénis e alcancei a bolsa dos testículos. Com suavidade tacteei cada uma daquelas pequenas bolas ovalizadas enquanto sentia os meus pelos púbicos roçarem nas suas nádegas. Ele inclinou a cabeça para trás e eu mordi-lhe delicadamente o lóbulo da orelha. Com a mão esquerda continuai a acariciar-lhe os testículos enquanto a direita se fechava em torno do pénis. Sem surpresa verifiquei que se encontrava completamente erecto. Comecei então a masturbá-lo lentamente, fazendo deslizar a minha mão ao longo do tronco, ora puxando a pele para trás e deixando a glande a descoberto, ora apertando-o desde a base e recebendo entre os dedos os sinais líquidos da sua tesão. Ao fazer isto senti que eu própria estava a ficar húmida e com vontade de sentir aquele membro rijo dentro de mim.
Nesse momento senti que Rui se aproximara e se encostava a mim. A sua respiração quente na minha nuca provocou-se um arrepio e o beijo que se seguiu provocou-me outro. Ele pousou as mãos nos meus ombros e foi descendo com elas pelas costas, pela cintura e pelas ancas. Agarrou cada uma das minhas nádegas e apertou-as entre os dedos. Depois passou os braços em volta do meu corpo e, agarrando o colega pela cintura, puxou-o de encontro a mim. Comprimida entre os seus corpos másculos, sentia o tronco de Rui nas minhas costas e as costas de Miguel no meu peito. No baixo-ventre sentia o rabo de Miguel que se pressionava de encontro à minha barriga e pelo volume que se tentava encaixar entre as minhas nádegas percebia a erecção crescente de Rui. Sabia-me bem e era terrivelmente erótico sentir os seus corpos colados ao meu. Estou certa que qualquer das minhas leitoras femininas gostaria um dia de estar nesta situação. Continuei a manusear o pau de Miguel que me deixava a mão toda molhada e empinei um pouco o rabo para sentir o membro de Rui. Pelo modo como deslizava pelo rego do meu rabo percebia que também ele estava molhado. Permanecemos os três durante algum tempo, a saborear aquela sensação dos nossos corpos a roçarem uns nos outros. Por fim Miguel afastou as minhas mãos do pénis e virando-se para mim colou os lábios aos meus num beijo longo e quente. A sua língua penetrou na minha boca com sofreguidão enquanto ele me apalpava as mamas apertando-as uma contra a outra e brincando com os bicos inchados. Entre as coxas sentia os seus paus esfregarem-se nos meus lábios vaginais e tocarem um no outro, lubrificados pelo meu fluido. Afastando-me um pouco fiquei de frente para eles e baixei os olhos para apreciar a visão dos seus membros. Estavam ambos completamente tesos com as glandes intumescidas e brilhantes.
Com um em cada mão fui-me baixando até ficar com a face à altura deles e fiquei a contemplá-los e a sentir-lhes a erecção. O do Rui era mais grosso e comprido que o do Miguel, mas este era também um belo exemplar e terminava naquela cabeça bonita que me dava vontade de o chupar. Puxei-os para mim e encostei-os às faces. Fui brincando com os dois, passando-os suavemente pelas bochechas, pela testa, pelas pálpebras pelos cantos da boca e pelo queixo. Por onde tocavam iam deixando na minha face uma esteira de baba que se prolongava em fios brilhantes e sedosos. De cócoras e com as pernas afastadas sentia que o meu grelinho, sobressaindo inchado entre os lábios abertos da vagina, atraía como um íman os seus olhares. Segurei cada dos seus membros entre o indicador e o polegar e com uma suave pressão espremi-os desde a base fazendo nascer gotas espessas que me apressei a colher com a ponta da língua. Estimulada por este sabor, lambi repetidamente cada um deles. Depois comecei a chupar alternadamente um e outro sentindo-lhes as diferenças de tamanho e de textura. Juntei as duas cabeças e abrindo o mais possível a boca fi-los passar entre os lábios. Com ambas as mãos acariciei-lhes os testículos enquanto a minha língua se movia por baixo das glandes. Miguel apoiava as mãos na minha nuca puxando-me para ele e Rui, debruçado sobre mim, mexia nas minhas mamas.
Sempre adorei chupar um pénis e, modéstia à parte, acho que faço um bom broxe, pelo menos é o que sempre me têm dito. Embora não conhecendo obviamente a sensação de quem está do outro lado do pénis, penso no entanto que o mais importante é gostar do que se faz. E disto, eu sem dúvida gosto. Ali, enquanto os chupava aos dois, sentia que a minha ratinha pedia desesperadamente para ser comida. Queria ser penetrada. Queria sentir de novo um pau dentro de mim. Não que aquele oral duplo não me soubesse bem, nem que a ideia de receber na boca o leite de ambos não me excitasse, mas a minha tesão era tão grande que precisava do bálsamo calmante de outro orgasmo.
Antes que aquilo fosse longe de mais pus-me de pé e dirigi-me para a marquesa. Miguel veio por trás de mim e com uma mão na minha cintura e outra na minha nuca dobrou-me o corpo sobre ela. Querendo tanto ser comida como ele queria comer-me, afastei as pernas e fiquei de rabo no ar. Sei que esta posição é excitante para os homens pois podem agarrar-me pelas ancas e com este apoio conseguir uma penetração mais profunda. Além disso sei que a visão do meu rabo aberto, do rego entre as nádegas e do buraquinho do ânus, com as pequenas rugazinhas que o rodeiam, lhes dá uma tesão redobrada. Também eu gosto que me comam assim, tanto pela tesão que me dá o facto de me estar a oferecer, como pelo gozo de estar a ser usada. Nesse momento senti que o pau teso de Miguel abria caminho por entre os lábios da minha ratinha. Lubrificada como me encontrava, ele deslizou facilmente e eu senti a vagina dilatar e abrir-se para o receber. Toda a minha sensibilidade se concentrava naquele canal onde centímetro a centímetro a glande inchada se enterrava em mim. As suas mãos cravaram-se na minha cintura e ele começou então a comer-me a uma cadência que aos poucos foi aumentando. Com os cotovelos apoiados no estofo da marquesa, sentia as mamas baloiçarem ao ritmo das suas investidas e os meus mamilos sensibilizados pela tesão a roçarem na seda macia. De cada vez que ele se enterrava fundo dentro de mim sentia o púbis encostar-se às minhas nádegas e os testículos balanceando baterem-me no clitóris. Tinha o interior das coxas molhado dos sumos que me escorriam da vagina e os meus dedos estavam brancos da força com que me agarrava à borda da marquesa. Uma e outra vez um gemido que não consegui conter soltou-se-me da garganta e ecoou pela sala. De olhos fechados, alheada de tudo o resto, recebia com gozo as suas estocadas. Rui, à minha frente, apalpava-me as mamas com uma mão e com a outra masturbava-se. Fiquei a olhar fixamente para o seu membro viril em que a cabeça ia aparecendo e desaparecendo à medida que ele manuseava a pele para trás e para a frente. Vendo a direcção do meu olhar, aproximou-se e exibiu-o orgulhoso mesmo em frente da minha cara. Percebi que ele queria sentir de novo a minha boca e instintivamente abri-a num convite descarado. Senti-o entrar-me entre os lábios, a glande deslizando pela minha língua, até quase me tocar na garganta. Excitada pela minha própria audácia, esquecida de todos os pudores, chupei com vontade. Cada estocada de Miguel empurrava-me para a frente e fazia com que o membro de Rui entrasse mais fundo na minha boca. Aos poucos os seus movimentos coordenaram-se até que ambos os paus me penetravam em sincronia. Em torno da vulva sentia que os lábios inchados eram arrastados pelo entrar e sair do pénis. Miguel debruçou-se por cima de mim e com a mão procurou entre as minhas coxas. Com dois dedos começou a esfregar-me rapidamente o clitóris inchado, aplicando a dose exacta de pressão e desencadeando em mim vagas de prazer intenso. Apoiando o tronco na marquesa estendi o braço e comecei a acariciar as bolas de Rui desejando o momento de sentir na boca o seu leite. Ele por sua vez agarrou-me pela nuca e aumentou a intensidade com que se enterrava na minha boca. Com a outra mão procurei entre as minhas próprias nádegas e, lubrificado pelo fluido que inundava toda aquela zona, enterrei o dedo médio no ânus. Senti que o meu orgasmo não ia demorar e desejei que eles se viessem comigo e que me inundassem de esperma. Como que recebendo telepaticamente o meu pensamento Rui inteiriçou-se e senti que um forte jacto de sémen me queimava a garganta. Ao mesmo tempo que dentro de mim se propagava a primeira vaga do orgasmo, o pau de Rui descarregava na minha boca mais do que eu conseguia engolir e senti que pelos cantos da boca me escorria o excesso. Percorrida por violentos espasmos pressionei com força os dedos no ânus sentindo-o contrair-se deliciosamente em torno deles. No meu clitoris, os dedos de Miguel mantiveram a pressão e continuaram a massajá-lo, enquanto eu, fazendo abanar a marquesa com movimentos involuntários e descontrolados, me vinha abundantemente no seu pau. Senti que me faltavam as força e que as pernas cediam ao meu próprio peso e apenas as mãos fortes de Miguel impediram que escorregasse para o chão. Quando a violência deste meu segundo orgasmo finalmente esbateu percebi que também ele se começava a vir. Puxando-me de encontro a si, enterrou-se profundamente na minha vagina e eu senti-lhe o pénis pulsar à medida que me enchia de leite. Sem abrandar a pressão, o seu corpo manteve-se colado às minhas nádegas enquanto ele gozava o prazer acumulado pela longa orgia. Por fim, exausto, caiu sobre as minhas costas deixando nelas um rasto de beijos. Ficamos assim os três durante um tempo indefinido, as nossas respirações ofegantes e os corpos transpirados, recuperando aos poucos as forças. Na boca e na ratinha sentia aqueles dois membros perderem lentamente a erecção. Rui fazia-me festas na face e no cabelo e eu senti-me emocionada e grata por esta carícia. Quando Miguel se ergueu, eu fiquei ainda apoiada na marquesa com os seios espalmados sob o peso do corpo, sentindo as suas mãos percorreram-me os flancos e as ancas numa última carícia enquanto o seu membro abandonava a minha ratinha saciada. Finalmente levantei-me e senti que pelas coxas o esperma escorria abundante misturado com o fluido do meu próprio prazer.
Abraçaram-me cada um por seu lado e em passos arrastados conduziram-me para a casa de banho onde me deitaram na banheira. Miguel encheu-a com água tépida e Rui deitou algumas colheres de sais de banho. Depois ligou os jactos de água e por fim acendeu uma vela aromática. Deitei-me para trás e, de olhos fechados, deixei-me invadir pela doce sonolência que sobrevém ao orgasmo. Através desta cortina de esquecimento, senti que ambos me beijavam nos lábios mas já não dei conta de saírem.
Ao acordar, não fazia ideia de quanto tempo se escoara. Sentia-me descontraída e inundada por um sentimento de felicidade interior. Levantei-me, saí da banheira e retirei do nicho uma toalha com que enxuguei o corpo. Quando atravessei a sala em direcção ao biombo atrás do qual deixara as minhas roupas, vi a minha imagem que, reflectida no grande espelho da parede, me devolvia um sorriso confiante. Contemplei durante um minuto aquele corpo de formas opulentas e sensuais e senti por ele um amor e um respeito renovados. Depois de vestida e penteada abandonei a sala e percorri o corredor em direcção à recepção onde Berta me esperava.

Enquanto me perguntava com a sua voz terna e maternal se eu tinha gostado, segurou a minha mão entre as suas e conduziu-me para junto da grande mesa de mogno que lhe servia de secretária. Em cima desta encontrava-se um envelope almofadado que me entregou sorrindo. Perante a minha expressão de curiosidade explicou que todas as sessões de massagens eram ali gravadas em vídeo para o caso de haver alguma reclamação da parte dos clientes em relação à prática dos seus colaboradores. No caso, como parecia que tudo tinha corrido de acordo com os meus desejos, as normas de qualidade do estabelecimento exigiam que as gravações me fossem entregues ou destruídas. Claro que, se eu assim o desejasse, ela se encarregaria de apagar o conteúdo do disco. A isto apressei-me a responder que não, não era necessário dar-se àquele incómodo pois eu teria muito gosto em aceitar e guardar a recordação dos agradáveis momentos que ali tinha passado. Finalmente despediu-se de mim com dois beijos e desejando-me repetidamente tudo de bom acompanhou-me à porta. Quando saí daquela casa reparei que o sol já se tinha posto e que no céu brilhavam as primeiras estrelas. Numa disposição alegre e despreocupada conduzi em direcção a casa, ansiosa por ver na companhia do meu marido o conteúdo daquele disco.