domingo, 7 de julho de 2013

Sintra

Nesse dia levantara-me mais tarde do que o habitual. Dia de folga, sozinha em casa, aproveitei para dormir um pouco mais. Durante a manhã andei a preguiçar pela casa vazia, pensando no que iria fazer com o resto do dia. Tomei um pequeno almoço demorado no quintal, apreciando o sol que finalmente se resolvera a brilhar neste fim de primavera. O dia prometia ser quente e pensei que depois do banho iria vestir o meu vestido de flores que não usava desde o verão passado. Tomei um banho prolongado apreciando a sensação da água quente a correr-me pelo corpo. Ao ensaboar os seios não pude deixar de me lembrar de como sentia saudades do toque das mãos do meu marido. Frequentemente tomávamos duche juntos, e muitas vezes as carícias trocadas durante o banho conduziam a sessões de sexo que ora terminavam ali mesmo debaixo do chuveiro, ora se prolongavam na cama. Eu gostava sobretudo quando ele me abraçava por trás, os dedos brincando e entesando os meus mamilos, enquanto sentia a sua erecção a crescer entre as minhas nádegas. Instintivamente passei a mão entre as pernas. De olhos fechados imaginei os seus dedos a tactearem-me ali. A recordação acendia em mim uma vontade há já semanas insatisfeita. Tive vontade de me masturbar. Ultimamente, com o Charlie fora em trabalho, fazia-o regularmente, às vezes mais de uma vez por dia. Mas não era obviamente a mesma coisa. O prazer que dava a mim própria, embora fosse um alívio para o meu desejo, não trazia a satisfação nem a plenitude de fazer amor com ele. Por muito que me apetecesse não o queria fazer naquele momento, pois sabia que em seguida me ia sentir extremamente amolecida e sem energia, e eu queria sair e aproveitar o dia sol. Assim terminei o duche e enxuguei o corpo. Ainda nua, arrumei o quarto. Hesitei quanto ao que vestir, mas acabei por optar pelo vestido em que tinha pensado anteriormente. Tratava-se de um vestido de verão, com um padrão de flores e um pouco decotado. Eu sabia que o tecido fino se tornava um pouco transparente se visto contra a luz, mas naquele dia sentia-me estranhamente ousada. Não que tivesse a ideia de ser provocadora, pois sou naturalmente envergonhada, mas talvez pela longa ausência de intimidade com o meu marido, sentia vontade de ser apreciada. A verdade é que me sentia num daqueles dias em que os meus pensamentos resvalavam irremediavelmente para o sexo. Num último momento de irreverência decidi que não ia usar roupa interior nesse dia. Assim enfiei apenas o vestido e calcei umas sandálias. Depois de algumas arrumações em casa, peguei num livro e meti-me no carro. Conduzi devagar para sul ao longo da costa. Por vezes, quando a estrada se aproximava mais da orla marinha, podia ver o espelho azulado do oceano onde o sol fazia rebrilhar faíscas de luz. Do rádio vinha um sol alegre que condizia com a minha disposição. Aos poucos fui-me sentindo cada vez mais descontraída e bem disposta. O vento que entrava pelo vidro aberto fazia-me ondular o cabelo e drapejar o fino tecido do meu vestido. O sol, a sul, atravessava o pára-brisas e eu sentia-o quente nas coxas. Esta sensação era agradável. Arregacei a saia do vestido para o sentir directamente na pele. No fundo da minha mente uma vaga recordação de um sonho erótico insistia em fazer-me sentir acesa. Sem deixar de prestar atenção à estrada, passei a mão entre as coxas e não fiquei surpreendida por me sentir ligeiramente molhada. À cabeça vieram-me fantasias em que era possuída por um ou por vários estranhos, ou em que era violada. Fantasias essas que por vezes discutia com Charlie. Eram episódios imaginários em que me comportava como uma prostituta e que nunca seria capaz de pôr em prática. Desde que estávamos casados apenas uma vez eu tinha estado com outro homem sem a presença dele. E isto tinha sido com o seu conhecimento e de certo modo com a sua insistência. Embora soubesse que essas situações o excitavam tanto como a mim, e soubesse também que teria sempre a sua aprovação para o fazer se quisesse, nunca me passaria pela cabeça oferecer-me de facto a um estranho. No entanto, e apenas como fantasia, era sem dúvida algo que mexia comigo. Imaginar um homem atraente, másculo, com um corpo bonito, que fosse ao mesmo tempo simpático e carinhoso mas também seguro de si e capaz de me seduzir… Imaginar as suas mãos fortes no meu corpo, a percorrerem-me os seios e as ancas, a sua boca no meu pescoço, os seus lábios nos meus em beijos ilícitos. Sentir o seu desejo a avolumar-se de encontro a mim. Imaginar por fim um membro grosso e erecto nas minhas mãos, olhá-lo de frente a oferecer-se á minha boca gulosa, senti-lo dentro de mim a comer-me com violência até ambos explodirmos num clímax de sensações. Enfim, estes pensamentos estavam a deixar-me excitada e achei melhor orientá-los noutro sentido. Este era apenas um dia bonito em que estava de folga e que planeava passar entretida com o meu livro numa explanada ou qualquer outro sítio agradável. Pela estrada os quilómetros foram passando sem que um destino definido os orientasse. Concentrei a minha atenção nos lugares por onde passava e apercebi-me que me aproximava de Sintra. Sintra, uma vila agradável, Possivelmente nesta altura do ano e num dia de semana não deveria ter muita gente. Além disso, o calor começava a apertar e recordei-me da frescura dos seus recantos, das veredas românticas encimadas por frescas sebes de sanguinhos e azereiros, do murmúrio dos riachos por entre as fragas das encostas, de toda a paz e harmonia que banha a serra. Assim sem mais pensar decidi que ia ser ali que ia passar o dia. Atravessei a vila e estacionei perto do largo do Palácio D. Maria. Passava já do meio dia e senti fome. Ora não querendo propriamente uma refeição, e estando naquele sítio, a escolha pareceu-me obvia: um travesseiro. Ao sair do carro, uma brisa suave enrolou-se nas minhas pernas e senti-a como uma carícia no púbis, recordando-me assim que, por baixo do vestido, me encontrava nua. Este pensamento trouxe-me de novo à mente as fantasias disparatadas em que pensara durante a viagem, ao mesmo tempo que me fez sentir um pouco envergonhada. Peguei na mala e depois de fechar o carro dirigi-me para uma explanada próxima. Mesas de ferro pintadas de verde e uma entrada em pedra talhada davam ao lugar um tom de bom gosto antigo. Árvores de ramagens frondosas criavam sombra que era um agradável refúgio do calor que se via emanar em ondas do alcatrão da estrada. Tudo se me afigurava prazenteiro, desde a sensação de liberdade de um dia sem trabalho, passando pela visão dos turistas que, sem pressa, observavam as lojas de artesanato ou por um pardal que debicava migalhas em pequenos saltos por baixo das mesas, até ao delicioso sabor de um travesseiro que um empregado de farda engomada e sorriso simpático me serviu juntamente com um café e uma água. Terminado o café deixei-me ficar recostada na cadeira apreciando a calma e a frescura do local. Abri o livro que trazia comigo e mergulhei na leitura esquecida do que me rodeava. O canto dos pássaros e o murmúrio da brisa, juntamente com o vozear distante dos transeuntes, amalgamavam-se num fundo sonoro do qual apenas tinha uma noção esbatida. Estive embrenhada na leitura durante algum tempo e quando desviei finalmente os olhos do livro reparei num homem que sentado numa mesa próxima olhava na minha direcção. Quando viu que me apercebi do seu olhar desviou os olhos. Não liguei importância e continuei a ler, mas por vezes sentia de novo o seu olhar. Ao fim de algum tempo, e como isto me impedisse de me concentrar na leitura, pousei o livro. Ele continuava a observar-se e desta vez demorou um pouco mais a desviar o olhar. Disfarçadamente reparei melhor nele. Deveria andar pelos quarenta anos, alto, o cabelo curto começava a mostrar algum cinzento nas têmporas. Os olhos eram grandes, castanhos, com uma expressão entre o divertido e o sonhador. A pele era de um tom ligeiramente bronzeado. As feições sendo talvez um pouco agrestes, como talhadas em pedra, eram suavizadas por uns lábios bonitos que dir-se-iam habituados a sorrir. Vestia um pólo escuro, entre o azul e o preto, que lhe envolvia ombros largos e de cujas mangas saiam braços bem torneados com a correcta dose de músculo. Calças de ganga um pouco desbotadas e ténis de marca completavam um aspecto agradável. Sobre a mesa tinha uma carteira e uns óculos de sol, além de um jornal em que não parecia interessado. Era sem dúvida um homem atraente pelos meus padrões. Perguntei-me se os olhares que me dirigia seriam apenas casuais, de curiosidade, ou se estaria a tentar alguma espécie de contacto. Não que eu deseja-se esse contacto mas era bom saber-me notada. Voltei a pegar no meu livro, mas era-me agora difícil continuar a leitura. De vez em quando, pelo canto do olho, reparava que ele me observava. Tentei não dar a entender que notava o seu interesse, fingindo-me embrenhada no livro, mas no fundo agradava-me estar a ser observada. Ao fim de algum tempo, percebi que aquilo que inicialmente poderia ter sido um olhar casual, era de facto mais que isso. Os pensamentos que me tinham assaltado na viagem voltaram em força e sem querer dei por mim a imaginar como seria uma aventura com aquele estranho. Assim passaram os minutos num devaneio embalado pela brisa do inicio de tarde, até que ao longe, um toque de sino nalguma igreja distante, me arrancou daquele sonhar acordada. Resolvi sair dali e ir dar um passeio á serra. Coloquei o livro dentro da mala e levantei-me para ir ao balcão pagar. Enquanto caminhava por entre as mesa da esplanada, uma inesperada rajada de vento soprou mais forte, como se o ar se tivesse de repente cansado de ser apenas brisa calma. Por cima dos chapéus de sol, as ramagens do arvoredo abanaram, enquanto junto ao chão se levantava um rodopio de folhas e poeira. Antes que pudesse proteger-me, senti a aragem enfunar-me a roda do vestido e, como que conspirando para me fazer sentir envergonhada, levantá-la acima da cintura. Por momentos lutei atrapalhada, tentando segurar a saia. A minha mala que não estava fechada caiu ao chão, espalhando o conteúdo. Quando finalmente consegui segurar a saia, sabia que por momentos as minhas nádegas tinham estado expostas para quem quisesse ver. Tão subitamente como tinha começado, a ventania acalmou e eu baixei-me para apanhar a mala, chaves, telemóvel e mais uma quantidade de coisas que como todas as mulheres eu trazia dentro dela, e que se encontravam agora espalhadas por baixo das mesas e cadeiras. O desconhecido que havia pouco me tinha estado a observar levantou-se e correu a ajudar-me. Por momentos ficamos ambos de cócoras frente a frente e senti um leve aroma do seu perfume. De mão estendida entregava-me as chaves do carro. Assim de perto a sua expressão mostrava um sorriso bonito, levemente zombeteiro. Meia embasbacada fiquei a olhar para ele enquanto murmurava um “obrigada” atrapalhado. Finalmente, já com tudo atirado para dentro da mala, apressei-me a ir pagar e quase correndo abandonei a esplanada. Sentia-me envergonhada pela figura que tinha feito. Aquele desconhecido, embora tendo-se portado como um cavalheiro, de certeza que tinha visto que eu não trazia cuecas. Além disso percebi que ele tinha olhado para o meu decote e na posição em que nos encontrávamos certamente devia ter tido uma visão perfeita, embora fugaz, do meu peito. Sabia que tinha corado quando ele me ajudava a apanhar as coisas e sabia que ele se tinha apercebido disso. Interiormente amaldiçoei a hora em que tinha tido a ideia de não usar nada por baixo do vestido. Enquanto caminhava através do largo tentei esquecer o episódio. Afinal de contas não tinha sido nada de mais. Um estranho que não voltaria a ver tinha acidentalmente visto o meu rabo. Pensei como iria ser divertido contar esta pequena peripécia ao Charlie quando ele regressasse. Íamo-nos fartar de rir. Eu própria ri-me do acontecido e quando cheguei ao carro tinha já ultrapassado a sensação de vergonha que havia sentido no momento. Sensação que tinha sido substituída por uma certa lisonja. Uma lisonja de me sentir cobiçada, de ter atraído uma atenção algo concupiscente. O carro estava agora ao sol e lá dentro escaldava. Quando me sentei, senti, através do tecido da saia, o banco quente quase a queimar-me o rabo. Apressei-me a abrir os vidros e arranquei pela estrada que conduz á serra. Andados os primeiros quilómetros, comecei a sentir a frescura que emanava de todo aquele verde. À minha frente a estrada serpenteava em curvas apertadas por baixo de um túnel de arvoredo. De cada lado, muros de pedra antiga, cobertos de musgo e líquenes, pareciam querer fechar-se e apagar de vez aquela tira de alcatrão, qual cicatriz de engenho humano rasgada neste mundo vegetal. Aqui e além, casas senhoriais mostravam em ornamentos de pedra esculpida, nobrezas antigas. Ali, invadia-me a sensação de estar num outro mundo e era fácil esquecer que a poucos quilómetros, a vida quotidiana e a civilização continuavam nos seus ritmos frenéticos. Passei a Regaleira e pouco depois Seteais. Lembrei-me que estava perto de Monserrate, e da última vez que tinha estado ali com o meu marido. O jardim era magnífico e deixara-me muito boas recordações. Tínhamos ali passado uma tarde no Verão anterior. As recordações dessa tarde desfilaram-me pela memória e fizeram-me de novo sentir carente dos seus beijos, das suas carícias, das suas mãos no meu corpo, enfim de o sentir em mim. Pensei que poderia ser um sítio agradável para passar o resto da tarde. Ao chegar ao parque de estacionamento em frente ao portão, vi que apenas alguns carros se encontravam ali estacionados. Isto queria dizer que havia poucos visitantes. Exactamente o que me agradava naquele momento. Decidi-me então a visitar de novo o jardim. Desta vez não tinha a companhia de Charlie e sentia a nostalgia dessa outra visita, mas iria certamente desfrutar de toda aquela beleza e calma. Com estes pensamentos na cabeça estacionei o carro e atravessei a estrada em direcção à entrada. Junto com o bilhete entregaram-se um folheto com uma breve história do jardim e com um mapa. Comecei a minha visita descendo pele vereda florida. Os únicos sons que se ouviam eram o soprar da brisa amena e o coro de aves que parecia vir de várias direcções ao mesmo tempo, ou por vezes o murmúrio de regatos que cantarolavam em pequenas cascatas. Caminhava lentamente como se os meus passos na gravilha dos caminhos profanassem aquela harmonia. Embrenhei-me pelos estreitos carreiros que desciam por entre sombras de fetos gigantes e de acácias mimosas, sempre surpreendida por uma nova visão de beleza que a cada curva me enchia de calma e de paz interior. Caminhei ao acaso esquecida do mapa. Não pretendia ver nada em concreto, apenas apreciar tudo o que me rodeava. Encher-me de todo aquele verde que cheirava a natureza. Por fim encontrei um sítio que me agradou e decidi sentar-me um pouco a descansar. Um pouco desviada do caminho, esta clareira estava separada dele por uma muralha de fetos. A um lado havia um banco talhado em pedra de onde se avistava o relvado principal que descia do pavilhão de caça. No meio do relvado via-se a centenária e imponente araucária que era a árvore mais alta de todo o parque. Sentei-me e fiquei a contemplar a paisagem irreal, comovida por tanta beleza. O Sol filtrava-se por entre os ramos das árvores e os seus raios desenhavam no chão manchas de claro e escuro num padrão em constante mudança. Recostei-me no banco e fiquei a saborear o momento. Ao fim de algum tempo fechei os olhos e aos poucos senti o corpo a relaxar. Na minha imaginação revivi os beijos que tinha trocado com Charlie por entre aqueles fetos. O toque das suas mãos na minha carne quando me encostara aquelas pedras e levantando-me a saia procurara as minhas coxas. Relembrei o arrepio de volúpia que sentira quando, ali perto, à beira de um regato que corria ligeiro e rumorejante, me descobrira os seios e entre beijos e lambidelas brincara com eles deixando-me os mamilos erectos. Relembrei o momento em que na antiga capela em ruínas, onde as raízes cresciam por sobre o granito das antigas paredes, a ele me tinha oferecido, inclinada por sobre uma peanha, impudica no meu desejo e por ele tinha sido possuída. Fui-me deixando levar embalada por estes pensamentos meia olvidada de tudo o que me rodeava. Sentia-me acesa e se por um lado sabia que devia reagir e afastar da mente a lascívia que me invadia, por outro lado sabia-me bem o calor que aqueles pensamentos provocavam entre as minhas pernas . O meu corpo rescendia de desejo. Tinha falta do carinho e das carícias de Charlie. Tinha fome dele. Naquele momento sentia toda a minha fome de amor, toda a sede de prazer que em mim se acumulava desde que Charlie partira. Tinha fome e sede de homem. Coloquei um pé sobre o extremo do banco ficando assim com as pernas abertas. Senti a frescura do ar da floresta entre as minhas coxas transpiradas e soube-me bem. A leve carícia da brisa no púbis não acalmou a minha excitação crescente, antes me fez afastar mais as pernas para a sentir fresca nos lábios da vulva. Aos poucos e como que animada de vontade própria, a minha mão foi escorregando por baixo da saia até encontrar os lábios inchados da minha vagina. Com a outra mão afastei o decote e senti entre os dedos a carne macia dos seios. A sensação de me encontrar sozinha no meio de um cenário de tão pujante beleza associada ao risco, ainda que improvável, de poder ser vista por alguém, aumentava a excitação que sentia e fazia-me perder o controlo e o natural pudor que fazem parte da minha maneira de ser. Nesta pose de abandono, com os dedos lubrificados pelo fluido que a minha ratinha produzia fui massajando o clítoris, enquanto sentia a aragem acariciar-me as mamas que, os botões desapertados do vestido, tinham deixado a descoberto. Dentro de mim sentia crescer uma tesão enorme que me deixava alienada do local público, ainda que recatado, em que me encontrava. Enquanto os meus dedos tacteavam espalhando humidade em torno do meu grelinho ia imaginando como seria ter o meu marido ali, à minha frente, ajoelhado e sentir a sua boca no meu sexo. Sentir a sua língua a explorá-lo enquanto com um dedo brincava no meu ânus. Ali, abandonada na minha volúpia fiquei a reviver mentalmente essas e outras fantasias, até que um ruído fez com que, sobressaltada, voltasse à realidade. De olhos fechados não dera pelo passar do tempo nem me apercebera que já não me encontrava sozinha. O meu coração disparou de susto quando finalmente abri os olhos e vi a alguns metros um homem que, na curva do caminho, apoiado num parapeito de pedra, me observava. A minha primeira reacção foi puxar a saia para baixo, mas era obvio que ele se tinha inteirado do que eu estava a fazer. De onde estava tinha tido uma perfeita visão das minhas pernas abertas e da minha mão a masturbar-me. Atrapalhada meti os seios para dentro do vestido e tentei disfarçar. Passada a surpresa inicial, para meu espanto, verifiquei que era a mesma pessoa que no inicio da tarde estivera na esplanada em Sintra. Não entendia porque coincidência tinha de encontrar aquele homem duas vezes no mesmo dia. No meu sonhar acordada, não sabia quanto tempo teria passado e interroguei-me há quanto tempo ele estaria ali a olhar-me. Senti vergonha mas ao mesmo tempo também uma excitação enorme pelo sabor a fruto proibido da situação. Excitação que me fez ficar ainda mais molhada. Por um momento passou-me pela cabeça a ideia de provocar aquele estranho. A oportunidade faz o ladrão como se costuma dizer e aquela era sem duvida uma boa oportunidade para o fazer. Já no café em Sintra ele tinha dado o ar de quem não se importava de ter uma aventura e eu, no estado de carência e tesão em que me encontrava era o que mais me apetecia. Além do mais, ele era sem dúvida o tipo de homem que me agrada. O tipo de homem que me atrai o olhar e que nas minhas fantasias secretas vejo e sinto dentro de mim. Que me come, que me viola e que obriga a dar-lhe prazeres obscenos e que me trata como uma puta. O tipo de homem a quem na minha imaginação me entrego e ofereço despudorada quando sozinha na minha cama me toco até ao orgasmo. A recordação do leito de casal fez-me pensar em Charlie e na sua ausência. Não, eu não queria ter uma aventura com um desconhecido, ainda que soubesse que o meu marido compreenderia e que provavelmente até me aconselharia a fazê-lo. Durante momentos lutei comigo própria. Sentia-me quente. O meu corpo devasso lutava com a minha mente casta. Tive consciência que os meus mamilos estavam erectos pelo roçar do vestido e involuntariamente a minha vagina contraia-se molhando-me o interior das coxas. Sentia a boca seca. Finalmente reagi e inspirando profundamente o ar perfumado decidi que tinha de sair dali e afastar-me da tentação. Corri o olhar em redor procurando outro caminho e verifiquei que o único meio de sair daquele espaço era por onde tinha vindo, o que significava que tinha que passar por ele. Ele parecia olhar distraído a paisagem mas eu sabia que a sua atenção estava concentrada em mim. Ainda hesitei durante algum tempo na esperança que ele seguisse o seu caminho e assim não tivesse que passar mesmo à frente dele, pois apesar das minhas fantasias, sabia que me ia sentir extremamente envergonhada. No entanto ele não parecia querer abandonar aquele local e como a situação se estava a tornar algo incomoda acabei por ganhar coragem e decidir-me. Levantei-me, compus o vestido e pegando na mala subi os três ou quatro degraus que conduziam a vereda por onde tinha descido. Ele teve a delicadeza de não olhar enquanto eu me aproximava, mas no momento em que me cruzei com ele, olhou-me directamente nos olhos e sorriu. Um sorriso simpático e ao mesmo tempo convidativo. Involuntariamente sorri de volta, talvez por um momento mais do que seria necessário. Com o coração a bater acelerado caminhei pelo túnel de vegetação que descia em direcção ao lago, sentindo o seu olhar cravado nas minhas ancas. Tentando não pensar no que se tinha passado, continuei a caminhar sentindo a cara afogueada não sei se pela vergonha se pela tesão. Aos poucos fui-me acalmando enquanto percorria ao acaso aquele labirinto de caminhos e escadinhas, de socalcos e varandas, rodeados de espessa cortina de vegetação. Fui dar a uma espécie de gruta escavada na encosta do monte. A um lado, num pequeno, lago viam-se nadar carpas vermelhas por entre os caules dos nenúfares. O tecto mostrava a pedra esculpida toscamente de onde pendiam algumas estalagmites, sinal que durante o inverno por ali escorria água. Aproximadamente no centro, uma mesa em granito ostentava a sua cobertura de líquenes. O ar era fresco e rescendia a humidade. Inspirei fundo e de olhos fechados fiquei a pensar no que tinha acontecido. Tudo isto era culpa da ausência do meu marido. Para alem da sua companhia e da sua presença, eu sentia a falta do seu corpo. Sabia que já não faltava muito para o seu regresso, mas era-me difícil manter-me fiel. Sentia-me carente, ardente de desejo. De súbito tive a sensação que havia outra presença na gruta. Não precisei de me voltar para adivinhar que atrás de mim se encontrava o desconhecido. Fiquei paralisada. Paralisada pelo medo e ao mesmo tempo pela vontade que fosse ele. Senti os passos que se aproximavam. O meu corpo tremia e tive que me apoiar no tampo de pedra, pois sentia faltarem-me as forças para me manter de pé. Durante um minuto que me pareceu uma eternidade ficamos ambos imóveis. Sentia-o por trás de mim, adivinhava-lhe a respiração e no entanto não tinha reacção para me voltar e encará-lo, ou para fugir dali para fora. Finalmente senti uma mão pousar-me na anca. Toda eu estremeci com aquele toque. Incapaz de me mover, incapaz de reagir, deixei-me envolver pelos seus braços. Contra a minha vontade o meu corpo reagia ao contacto do dele. Quando as suas mãos me envolveram os seios, puxando-me de encontro a si, pude sentir nas nádegas o volume do seu sexo. Eu morria de vergonha misturada com desejo. Senti uma mão introduzir-se pelo decote do vestido enquanto a outra, descendo pelo meu peito e pela minha cintura me ia apalpando. Entre os seus dedos os meus mamilos endureceram. As suas mãos eram macias mas a carícia vigorosa. O contacto dos seus lábios no meu pescoço enviou um arrepio que me percorreu todo o corpo. Beijando e mordendo foi subindo até ao lóbulo da minha orelha. Sentia-me derreter por dentro e entre as coxas estava cada vez mais molhada. Quando me levantou a saia e senti a sua mão agarrar com força as minhas nádegas tive um ultimo resquício de bom senso e, virando-me para ele, empurrei-o e fiz menção de fugir. Como se estivesse á espera disso, agarrou-se por um pulso e puxou-me de encontro ele. Tentei resistir-lhe mas nem a minha força física nem a minha vontade estavam à altura da sua determinação. Lutando contra o amplexo em que os seus braços me aprisionavam, sabia que não ia ter forças para lhe resistir. A sua boca colava-se no meu pescoço e nos meus ombros, sentia-lhe os lábios e os dentes na minha carne. Aos poucos fui deixando de oferecer resistência, vencida mais pela minha própria urgência que pelos seus avanços. Os seus lábios colaram-se aos meus e eu finalmente, sem poder mais resistir, correspondi ao seu beijo. Sôfrega, a minha boca recebeu a sua língua enquanto o meu corpo era pasto das sua mãos. Os botões do meu vestido foram cedendo e logo os meus seios ficaram expostos. Apoiada na mesa de pedra inclinei-me para trás enquanto ele mos lambia e chupava. Com as mãos envolvi-lhe a nuca e puxei-o para mim. Os meus mamilos não podiam estar mais erectos. Ele abocanhava ora um ora outro ao mesmo tempo que me ia puxando o vestido para cima. Senti a sua mão entre as coxas procurando a abertura do meu sexo encharcado. Deitei-me para trás ficando estendida sobre a superfície de pedra e empurrei-lhe a cabeça fazendo-a descer em direcção ao meu ventre. Ele ajoelhou-se no chão e começou a beijar-me as coxas. Naquele momento eu queria sentir a sua boca. Puxei o resto do vestido para cima e levantei as pernas oferecendo-me assim, toda aberta e semi nua à sua gula. Debaixo de mim sentia a pedra fria e imaginei-me como uma vitima sacrificial sobre a ara das oferendas. Só que a oferenda neste caso era de prazer e eu não era a vitima mas sim a deusa a quem esse prazer era oferecido. Com as mãos por trás dos joelhos segurei as pernas levantadas enquanto ele me beijava o púbis e as virilhas. A sua boca aproximou-se mais da minha ratinha e finalmente senti os seus lábios no meu clítoris. Aquele botão de carne, inchado de tesão, emitia vagas de prazer que me faziam vibrar. A sua língua percorria a minha fenda e ora se introduzia profundamente dentro dela, ora ficava brincando como que a saborear o licor que ela ia produzindo e que eu sentia já a escorrer misturado com a sua saliva. Por fim não aguentei mais e senti a explosão do orgasmo a formar-se no mais profundo de mim. pressionei-lhe a cabeça com força de encontro ao meu sexo enquanto sucessivas convulsões me percorriam os músculos. A sua boca manteve-se no meu clítoris enquanto eu era abalada por um orgasmo intenso. Finalmente, exausta pelo prazer sentido, fiquei inane contemplando o tecto da gruta, enquanto ele acompanhava os últimos espasmos do meu corpo com beijos e mordidelas suaves nas minhas coxas. Esquecida de onde me encontrava permaneci deitada por longos momentos, o corpo invadido pela lassidão que sobrevém ao clímax. Aquele homem de quem eu nem o nome sabia e que acabara de me fazer vir com um oral sublime, levantou-se e puxou-me para si. Sem coragem para o fitar eu evitava os seus olhos, mas ele segurando-me a face entre as suas mãos fortes fez-me encará-lo. O seu olhar era profundo e firme. Puxou-me para si e as nossas bocas uniram-se de novo num beijo. Os meus seios que continuavam descobertos voltaram a sentir as mãos. Senti o meu corpo vibrar a este toque enquanto as nossas línguas se enrolavam numa dança de paixão. Embora tendo acabado de vir, talvez pelo longo jejum de homem a que a ausência de Charlie me forçava, sentia novamente o desejo a despertar dentro de mim. As minhas mãos procuraram nervosas o seu sexo. Por cima das calças apertei-o entre os dedos sentindo-o duro. Com nervosismo lutei com a fivela de um cinto de cabedal e depois de alguma atrapalhação consegui desaperta-lhe as calças. Dentro de uns boxers justos onde se notava já uma mancha de humidade, adivinhava-se o volume de um pénis erecto. Por momentos fiquei a acariciá-lo através do tecido. Os meus olhos que até então tinham estado como que hipnotizados pelos seus, desviaram-se para contemplar o que a minha mão sentia. Lentamente puxei o elástico das cuecas para baixo e vi surgir a glande púrpura e intumescida. À medida que lhe ia descendo as cuecas e que o tronco do pénis ia ficando visível não pude deixar de reparar como era belo. De um diâmetro que os meus dedos mal conseguiam envolver, sulcado de veias salientes, era coroado por uma cabeça cuja pele delicada se encontrava retesada devido à erecção. Ao longo da minha vida tive relações com vários homens, tanto antes de casada como depois, e o pénis é uma parte da anatomia masculina que sempre me fascinou. E aquele era sem duvida um pénis soberbo. Liberto dos boxers, apontava para mim num ângulo empinado. Apertei-o entre os dedos e comecei a masturbá-lo enquanto com a outra mão procurei os testículos entre as suas pernas. A cada movimento da minha mão, gotas de liquido transparente apareciam na pequena fenda da glande. Com uma pressão no meu ombro ele fez-me baixar, ficando assim com o seu sexo ao nível dos meus olhos. De perto, aquele pau duro apresentava-se-me como um convite. Continuei a manuseá-lo agachada na sua frente. Na minha mão esquerda sentia as duas bolas cheias dentro do seu saco de pele. Fui-me aproximando até ter a glande a poucos centímetros dos meus lábios. Então ergui o olhar para ele e vendo a sua expressão de prazer, com a ponta da língua comecei a lamber-lhe o pénis. Senti na boca o sabor ligeiramente salgado daquelas primeiras gotas de sémen e instantaneamente fiquei de novo molhada. Sempre adorei observar a expressão na cara do homem enquanto faço oral. E expressão dele reflectia para mim o prazer que eu lhe estava a dar. Depois de varias lambidelas desde a cabeça ate à base do tronco, coloquei-o na boca e fiquei por momentos com os lábios em volta da glande, brincando com a língua na parte inferior desta. Ele então com uma mão empurrou-me a cabeça e todo o seu membro deslizou para dentro da minha boca. Chupei-o em movimentos alternados, ora introduzindo-o até o sentir tocar na garganta, ora ficando só com a ponta entre os lábios. As suas mãos na minha face acompanhavam estes movimentos, guiando-os ao ritmo do seu prazer. Enquanto ele me penetrava na boca, eu, de cócoras e com os joelhos afastados sentia a minha coninha aberta a ficar encharcada. Continuando a chupá-lo comecei a tocar-me. Excita-me imenso fazer oral a um homem. A sensação de ser usada de um modo algo perverso, de saber a tesão que estou a proporcionar deu-me sempre um prazer enorme. Ao fim de algum tempo ele agarrou no pénis e afastando-se um pouco retirou-o de entre os meus lábios. Na luz mortiça da gruta vi-lhe o pau brilhante da minha saliva enquanto ele me esfregava a glande nas mamas e na cara. As suas mãos fortes ergueram-me da posição em que me encontrava e obrigaram-me a ficar de costas para ele. Contrariando a minha fraca resistência, dobrou-me para cima da mesa e levantou-me o vestido. Sabia que ele ia querer penetrar-me e pensei como isto seria uma infidelidade para com o meu marido. Se bem que estivesse imensamente excitada e disposta a retribuir o prazer que ele me tinha proporcionado, não queria dar este último passo. Tinha pensado fazer-lhe sexo oral até ele se vir e receber na minha boca a sua carga de esperma. Em vão tentei debater-me mas a minha oposição não estava à altura da sua força. Inebriado pela tesão, nada o ia impedir de colher o prazer porque ansiava. Com uma mão pressionou-me a nuca obrigando-me a apoiar o tronco sobre a pedra da mesa. Com a outra senti-o afastar as minhas nádegas ao mesmo tempo que com um pé me obrigava a abrir as pernas. Senti que nada podia fazer para lhe resistir. Pedi em vão que não me penetrasse, que faria o que ele quisesse, que se podia vir na minha boca, mas que poupasse a minha vagina. Indiferente aos meus apelos encostou o pau ao meu rabo e senti-o molhado a roçar entre as minhas nádegas. Ao mesmo tempo que me revoltava sentia em mim fraquejar a vontade de resistir. A cabeça dizia-me que não, mas o meu corpo ansiava por sentir aquele pau enterrar-se em mim. Sem dificuldade ele encostou a glande aos lábios da minha ratinha e começou a roçá-la entre eles. Quando se encostava ao meu rabo o sem membro deslizava entre as minhas coxas e tocava-me no clítoris aumentando a minha excitação. Não tardou a que o sentisse forçar a entrada da minha vagina. Molhada como eu me encontrava, enterrou-se em mim sem resistência. Algum resto de oposição e de pudor da minha parte esvaiu-se ao sentir dentro de mim o seu membro grosso e erecto. Deixei de me debater, rendida ao prazer que me inundava. Debruçada sobre a mesa de granito e sentindo nos seios nus a textura áspera do musgo que a cobria, sabia que as minhas nádegas abertas lhe davam uma visão perfeita meu rabo. Sentir-me assim exposta fazia crescer dentro de mim a tesão. Abri mais as pernas e empinei o rabo na ânsia de o sentir mais fundo. Enquanto recebia por trás as suas estocadas a minha mão procurou entre as minhas coxas e com dois dedos comecei a esfregar o clítoris. Ele agarrava as minhas ancas com força e puxava-me de encontro a si e eu respondia a cada uma das suas investidas empurrando o rabo para trás até sentir o seu púbis colado ao reguinho que separa as minhas nádegas. Pelo interior das coxas sentia correr o sumo que transbordava da minha ratinha. Estiquei o braço para trás e com o dedo médio comecei a tocar-me no ânus. Vendo isto ele afastou-me mais as nádegas e pouco depois senti os seus dedos a procurarem aquele meu orifício. Lubrificado pelo meu fluido vaginal senti o seu dedo aos poucos penetrar-me no rabo. Sou muito sensível nessa zona e com o Charlie adoro fazer sexo anal. Dá-me um prazer imenso sentir o ânus a ser aberto, sentir uns dedos ou um pénis com tesão a pressionar e aos poucos a enterrar-se-me no rabo. Ali, no interior daquela gruta, os dedos daquele homem a explorar e a abrirem o meu cuzinho enquanto ele me comia, faziam-me sentir um prazer indescritível. O seu ritmo foi aumentando e eu sentia que ele não ia demorar muito a vir-se. O vaivém do seu pau dentro de mim e a sensação provocada por dois ou três dedos enterrados no meu rabo, juntamente com a massagem frenética com que eu me masturbava fizeram-me aproximar rapidamente do segundo orgasmo. Partindo do interior profundo da vagina, senti as ondas de prazer que me percorriam e se avolumavam e que me provocavam espasmos que eu não conseguia nem pensava em controlar. Os meus músculos contraíram-se e as paredes interiores do meu sexo sugaram o seu pau. O meu ânus apertou-se em torno dos seus dedos provocando-me como que um reflexo deste orgasmo intenso. Antes que a minha explosão de prazer acalmasse completamente, ele imobilizou-se todo enterrado dentro de mim e um segundo depois senti dentro da vagina o seu pénis contrair-se e o jorro quente do seu leite inundar-me. Como uma fonte inesgotável, o seu membro continuou em bombadas sucessivas a encher a minha ratinha de esperma. Durante algum tempo continuou dentro de mim sem perder a erecção, até que aos poucos, o pénis foi perdendo volume e eu senti-o escorregar para fora da vagina. Continuei apoiada sobre a mesa de pedra, drenada de toda a energia e sentindo escorrer pelas coxas o leite deste desconhecido. Ele debruçou-se sobre mim e beijou-me o pescoço e os ombros mas eu estava demasiado exausta para corresponder ás suas carícias. Sem alento para me levantar deixei-me ficar como estava enquanto sentia os seus passos afastarem-se para fora da gruta. Quando finalmente consegui reunir forças para me erguer apercebi-me que a tarde já ia avançada e que tinha que me apressar para chegar ao portão do parque antes da hora do fecho. Alisei o vestido conforme pude e meti os seios para dentro do decote. Dois botões tinham desaparecido e estava sujo de pó e de musgo em vários sítios. Tentei dar um ar mais composto ao cabelo e caminhei para a saída do jardim de Monserrate. Enquanto subia a vereda ladeada de vegetação sentia o liquido viscoso que me escorria entre as pernas e pensava feliz na aventura que acabara de viver.